Ele quase não viu a senhora, com o carro parado no acostamento. Chovia forte e já era noite. Mas percebeu que ela precisava de ajuda. Assim parou seu carro e se aproximou.
O carro dela cheirava a tinta, de tão novinho. Mesmo com o sorriso que ele estampava na face, ela ficou preocupada. Ninguém tinha parado para ajudar durante a última hora. Ele iria aprontar alguma?
Ele não parecia seguro, parecia pobre e faminto. Ele pode ver que ela estava com muito medo e disse:
Eu estou aqui para ajudar madame, não se preocupe. Por que não espera no carro onde está quentinho? A propósito, meu nome é Renato.
Bem, tudo que ela tinha era um pneu furado, mas para uma senhora de idade avançada era ruim o bastante.
Renato abaixou-se, colocou o macaco e levantou o carro. Ele já estava trocando o pneu. Mas ficou um tanto sujo e ainda feriu uma das mãos.
Enquanto apertava as porcas da roda ela abriu a janela e começou a conversar com ele. Contou que era de São Paulo e que só estava de passagem por ali e que não sabia como agradecer pela preciosa ajuda.
Renato apenas sorriu enquanto se levantava.
Ela perguntou quanto devia. Qualquer quantia teria sido muito pouco para ela. Já tinha imaginado todos as terríveis coisas que poderiam ter acontecido se Renato não tivesse parado e ajudado.
Renato não pensava em dinheiro, aquilo não era um trabalho para ele. Gostava de ajudar quando alguém tinha necessidade e Deus já lhe havia ajudado bastante. Este era seu modo de viver e nunca lhe ocorreu agir de outro modo.
E respondeu: Se realmente quiser me pagar, da próxima vez que encontrar alguém que precise de ajuda, dê para aquela pessoa a ajuda de que ela precisar. E acrescentou: e lembre-se de mim.
Esperou até que ela saísse com o carro e também se foi.
Tinha sido um dia frio e deprimente, mas ele se sentia bem, indo para casa, desaparecendo no crepúsculo.
Alguns quilômetros abaixo a senhora parou seu carro num pequeno restaurante. Entrou para comer alguma coisa.
Era um restaurante muito simples, e tudo ali era estranho para ela. A garçonete veio até ela e trouxe-lhe uma toalha limpa para que pudesse esfregar e secar o cabelo molhado e lhe dirigiu um doce sorriso, um sorriso que mesmo os pés doendo por um dia inteiro de trabalho não pode apagar.
A senhora notou que a garçonete estava com quase oito meses de gravidez, mas ela não deixou a tensão e as dores mudarem a sua atitude.
A senhora ficou curiosa em saber como alguém que tinha tão pouco, podia tratar tão bem a um estranho. Então se lembrou de Renato.
Depois que terminou a sua refeição, enquanto a garçonete buscava troco para a nota de cem reais, a senhora se retirou.
Já tinha partido quando a garçonete voltou. Ela queria saber onde a senhora poderia ter ido quando notou algo escrito no guardanapo, sob o qual tinha mais 4 notas de cem reais.
Existiam lágrimas em seus olhos quando leu o que a senhora escreveu. Dizia: “você não me deve nada, eu já tenho o bastante”. Alguém me ajudou hoje e da mesma forma estou lhe ajudando.
Se você realmente quiser me reembolsar por este dinheiro, não deixe este círculo de amor terminar com você, ajude alguém.
Bem, havia mesas para limpar, açucareiros para encher, e pessoas para servir, e a garçonete voltou ao trabalho.
Aquela noite, quando foi para casa cansada e deitou-se na cama, seu marido já estava dormindo e ela ficou pensando no dinheiro e no que a senhora deixou escrito.
Como pôde aquela senhora saber o quanto ela e o marido precisavam disto? Com o bebê que estava para nascer no próximo mês, como estava difícil!
Ficou pensando na bênção que havia recebido, deu um grande sorriso, agradeceu a Deus e virou-se para o preocupado marido que dormia ao lado, deu-lhe um beijo macio e sussurrou:
Tudo ficará bem; eu te amo Renato!
A vida é assim, um espelho. Tudo o que você transmite volta para você, e geralmente em dobro.
Um cantinho pra poder trocar ideias, pensamentos ou apenas deixar um recadinho!
Pensar, ler, aprimorar e evoluir!
29 abril 2010
23 abril 2010
Contribuição do Jofir! Obrigada!
A GLOBALIZAÇÃO E O HALLOWEEN
Vivemos um irreversível processo de globalização, que estreita as fronteiras sócio-político-econômicas e muda as práticas culturais, gerando uma fragilidade nas certezas do conhecimento e criando uma nova realidade, um novo estilo de vida com novas formas de relacionamento interpessoal.
Esse contexto histórico mundial, de gestação de uma sociedade global interdependente, formada de estratos culturais heterogêneos, tem, ao lado de potenciais avanços positivos (como a extraordinária força libertadora decorrente da universalização de conhecimentos), certos aspectos que causam perplexidade, dentre os quais destaco, aqui, o problema da massificação das culturas populares como parte de um processo de luta pelo poder.
A luta pelo poder na incipiente sociedade global interdependente nada tem a ver com dinheiro ou com aparato militar. A nova forma de poder reside na posse dos códigos de informação e imagens de representação em torno dos quais as sociedades se estruturam e as pessoas constroem suas vidas e decidem seu comportamento. A disputa pelo poder, portanto, é hoje uma batalha ininterrupta e silenciosa pelos códigos culturais da sociedade, que se encontram na mente das pessoas.
Sob essas novas condições, em que as sociedades dominantes, mais articuladas e aparelhadas, expandem seus impérios culturais, é preciso (re)construir uma identidade cultural de resistência, uma identidade defensiva baseada na cultura brasileira.
Bem por isso, não posso deixar de desprezar a comemoração do halloween, contra a qual luto vigorosamente. Fato recente em nosso país, o halloween (que, na verdade, surgiu na Irlanda) chegou aqui através da grande influência da cultura norte-americana. O Halloween, irrefletidamente impulsionado e difundido ad nauseam pela Mídia, está se alastrando por todos os recantos do Brasil, minando nossa cultura e desconstruindo nossa identidade.
Não estou sozinho nesta luta. No ano de 2003, a revista Nova Escola fez uma pesquisa questionando se as escolas deveriam comemorar o halloween e mais de 75% dos pais foram contra. Em virtude da pressão de inúmeros brasileiros que, como eu, defendem que o “dia das bruxas” deveria simplesmente ser esquecido, em 2005 foi oficialmente criado, em caráter nacional, o Dia do Saci, comemorado exatamente em 31 de outubro.
O propósito manifesto da instituição oficial do Dia do Saci na mesma data do halloween foi diminuir a influência norte-americana em nosso país e valorizar a nossa cultura, pois temos um folclore muito mais rico (saci-pererê, curupira, boitatá, boto, negrinho do pastoreio, cuca, lobisomem, iara, mula-sem-cabeça, etc.).
Convém ressaltar que a (re)definição de uma identidade de resistência não tem nenhuma relação com nacionalismo ou fundamentalismo, mas com a auto-preservação do nosso povo, na medida em que o embrião da nova sociedade mundial está sendo gerado nos campos da batalha pelo poder da identidade cultural.Além da questão da lógica do poder na sociedade informacional, também há outros aspectos relevantes a considerar.
Todo projeto construtivista tem o elogiável escopo de formar adultos pensantes, criativos, com espírito crítico, pois o que define o ser humano não é apenas saber o que se está fazendo, mas substancialmente saber por que se está fazendo algo. Assim, convém indagar: porque celebrar o halloween? O que acrescenta ao conhecimento evocar criaturas macabras, aprender a estória de Jack-o-Lantern ou usar fantasias assustadoras? Que valores estamos transmitindo às crianças que ameaçam “doçura ou travessura”? Qual a ética subjacente à cultura americana do “Trick or Treat”?
O halloween valoriza um comportamento que praticamente exclui qualquer possibilidade de cultivo de relações éticas, na medida em que propõe o lema: faça o que eu quero ou lhe faço uma maldade. Vê-se que a “moral” do halloween é justamente o oposto do fundamento ético universal, o imperativo categórico de KANT (que sugere que façamos aos outros o que gostaríamos que todos fizessem).
A comemoração do halloween no Brasil é a celebração da mediocridade e do culto à massificação, que permite a manipulação fácil das pessoas influenciáveis. Não se constrói uma intensa consciência crítica com base em "modismos", notadamente quando a “moral da estória” é: posso realizar meu desejo de qualquer modo, posso até obter o prazer - do doce - através do susto, da força, do medo ou da coação.
PLATÃO, dizia que, na escola, as crianças deveriam primeiro aprender a controlar seus desejos, desenvolvendo a temperança, para depois incrementar a coragem e finalmente trabalhar para atingir a sabedoria. Para ARISTÓTELES, essa espécie de "pedagogia" para o desenvolvimento das virtudes, pressupõe a preocupação de incentivar bons hábitos, “que induzam quem aprende a gostar e a desgostar acertadamente, à semelhança da terra que deve nutrir a semente”.
Esta educação para a ética obviamente nada tem a ver com o Fred Krugger, Jason, Drácula e o utilitarismo barato do “Trick or Treat”, mas se baseia em atividades que fortaleçam a auto-estima e cultivem as virtudes, especialmente a fraternidade, a tolerância, a compaixão, a igualdade, a amizade, o amor e a convivência harmoniosa com a natureza, para devolver ao ser humano o sentido de sua dignidade e de seu indispensável caráter sagrado.
Só assim estaremos formando adultos críticos e criativos, habilitados para participar positivamente da vida da comunidade.Para que possamos nos olhar no espelho desta estranha realidade histórica sem susto e, sobretudo, sem medo de não gostar da imagem refletida.
Jofir Avalone Filho
Vivemos um irreversível processo de globalização, que estreita as fronteiras sócio-político-econômicas e muda as práticas culturais, gerando uma fragilidade nas certezas do conhecimento e criando uma nova realidade, um novo estilo de vida com novas formas de relacionamento interpessoal.
Esse contexto histórico mundial, de gestação de uma sociedade global interdependente, formada de estratos culturais heterogêneos, tem, ao lado de potenciais avanços positivos (como a extraordinária força libertadora decorrente da universalização de conhecimentos), certos aspectos que causam perplexidade, dentre os quais destaco, aqui, o problema da massificação das culturas populares como parte de um processo de luta pelo poder.
A luta pelo poder na incipiente sociedade global interdependente nada tem a ver com dinheiro ou com aparato militar. A nova forma de poder reside na posse dos códigos de informação e imagens de representação em torno dos quais as sociedades se estruturam e as pessoas constroem suas vidas e decidem seu comportamento. A disputa pelo poder, portanto, é hoje uma batalha ininterrupta e silenciosa pelos códigos culturais da sociedade, que se encontram na mente das pessoas.
Sob essas novas condições, em que as sociedades dominantes, mais articuladas e aparelhadas, expandem seus impérios culturais, é preciso (re)construir uma identidade cultural de resistência, uma identidade defensiva baseada na cultura brasileira.
Bem por isso, não posso deixar de desprezar a comemoração do halloween, contra a qual luto vigorosamente. Fato recente em nosso país, o halloween (que, na verdade, surgiu na Irlanda) chegou aqui através da grande influência da cultura norte-americana. O Halloween, irrefletidamente impulsionado e difundido ad nauseam pela Mídia, está se alastrando por todos os recantos do Brasil, minando nossa cultura e desconstruindo nossa identidade.
Não estou sozinho nesta luta. No ano de 2003, a revista Nova Escola fez uma pesquisa questionando se as escolas deveriam comemorar o halloween e mais de 75% dos pais foram contra. Em virtude da pressão de inúmeros brasileiros que, como eu, defendem que o “dia das bruxas” deveria simplesmente ser esquecido, em 2005 foi oficialmente criado, em caráter nacional, o Dia do Saci, comemorado exatamente em 31 de outubro.
O propósito manifesto da instituição oficial do Dia do Saci na mesma data do halloween foi diminuir a influência norte-americana em nosso país e valorizar a nossa cultura, pois temos um folclore muito mais rico (saci-pererê, curupira, boitatá, boto, negrinho do pastoreio, cuca, lobisomem, iara, mula-sem-cabeça, etc.).
Convém ressaltar que a (re)definição de uma identidade de resistência não tem nenhuma relação com nacionalismo ou fundamentalismo, mas com a auto-preservação do nosso povo, na medida em que o embrião da nova sociedade mundial está sendo gerado nos campos da batalha pelo poder da identidade cultural.Além da questão da lógica do poder na sociedade informacional, também há outros aspectos relevantes a considerar.
Todo projeto construtivista tem o elogiável escopo de formar adultos pensantes, criativos, com espírito crítico, pois o que define o ser humano não é apenas saber o que se está fazendo, mas substancialmente saber por que se está fazendo algo. Assim, convém indagar: porque celebrar o halloween? O que acrescenta ao conhecimento evocar criaturas macabras, aprender a estória de Jack-o-Lantern ou usar fantasias assustadoras? Que valores estamos transmitindo às crianças que ameaçam “doçura ou travessura”? Qual a ética subjacente à cultura americana do “Trick or Treat”?
O halloween valoriza um comportamento que praticamente exclui qualquer possibilidade de cultivo de relações éticas, na medida em que propõe o lema: faça o que eu quero ou lhe faço uma maldade. Vê-se que a “moral” do halloween é justamente o oposto do fundamento ético universal, o imperativo categórico de KANT (que sugere que façamos aos outros o que gostaríamos que todos fizessem).
A comemoração do halloween no Brasil é a celebração da mediocridade e do culto à massificação, que permite a manipulação fácil das pessoas influenciáveis. Não se constrói uma intensa consciência crítica com base em "modismos", notadamente quando a “moral da estória” é: posso realizar meu desejo de qualquer modo, posso até obter o prazer - do doce - através do susto, da força, do medo ou da coação.
PLATÃO, dizia que, na escola, as crianças deveriam primeiro aprender a controlar seus desejos, desenvolvendo a temperança, para depois incrementar a coragem e finalmente trabalhar para atingir a sabedoria. Para ARISTÓTELES, essa espécie de "pedagogia" para o desenvolvimento das virtudes, pressupõe a preocupação de incentivar bons hábitos, “que induzam quem aprende a gostar e a desgostar acertadamente, à semelhança da terra que deve nutrir a semente”.
Esta educação para a ética obviamente nada tem a ver com o Fred Krugger, Jason, Drácula e o utilitarismo barato do “Trick or Treat”, mas se baseia em atividades que fortaleçam a auto-estima e cultivem as virtudes, especialmente a fraternidade, a tolerância, a compaixão, a igualdade, a amizade, o amor e a convivência harmoniosa com a natureza, para devolver ao ser humano o sentido de sua dignidade e de seu indispensável caráter sagrado.
Só assim estaremos formando adultos críticos e criativos, habilitados para participar positivamente da vida da comunidade.Para que possamos nos olhar no espelho desta estranha realidade histórica sem susto e, sobretudo, sem medo de não gostar da imagem refletida.
Jofir Avalone Filho
12 abril 2010
Mais belas frases! Contribuição da Lourdes!
1. "Aprender é transformar-se na relação com o outro" - Henri Wallon
2-" A educação só tem sentido quando leva em consideração a felicidade do ser humano" - Rubem Alves
2-" A educação só tem sentido quando leva em consideração a felicidade do ser humano" - Rubem Alves
07 abril 2010
Maravilhosa Mensagem! Vale a pena! Obrigada Zuzima!
É um pouco longo, mas vale a pena! A escritora nigeriana Chimamanda Adichie fala sobre o perigo da história única.
Bastante pertinente para todos que desejam o fim do discurso único, sobretudo em nossa querida mídia e indústria cultural tupiniquim.
Bjs Zuzima
"Numa sociedade sustentada pela mentira, qualquer expressão de verdade, ou de liberdade, é vista como loucura". Emma Goldman
http://www.ted.com/talks/lang/por_br/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html
Bastante pertinente para todos que desejam o fim do discurso único, sobretudo em nossa querida mídia e indústria cultural tupiniquim.
Bjs Zuzima
"Numa sociedade sustentada pela mentira, qualquer expressão de verdade, ou de liberdade, é vista como loucura". Emma Goldman
http://www.ted.com/talks/lang/por_br/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html
Contribuição de Adriano Rodrigues!
A Complicada Arte de Ver - Rubem Alves
Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."
Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".
A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".
Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...
O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004.Agradecimento!
Obrigada amigos pelo envio dos textos e dicas para nosso blog!
Ana Maria viu seu texto aqui?
Beijocas,
Tânia
Ana Maria viu seu texto aqui?
Beijocas,
Tânia
Recomeçar!
Recomeçar
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e o mais importante, acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado.
Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste as portas. Chorou muito?Foi limpeza de alma.
Acreditou que tudo estava perdido? Era o inicio de tua melhora.
Pois é... agora é hora de reiniciar, de pensar na luz,de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Um corte de cabelo arrojado diferente, um novo, ou aquele velho desejo de aprender a pintar, desenhar, dominar o computador, ou qualquer outra coisa. Olha quanto desafio, quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando...
Ta se sentindo sozinho? Besteira tem tanta gente que você afastou com o seu “período de isolamento”
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para “chegar” perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza ,nem nós mesmos nos suportamos, ficamos horríveis. O mau humor vai comendo nosso fígado, até a boca fica amarga.
Recomeçar...
Hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Aonde você quer chegar? Alto? Sonhe alto! Queira o melhor do melhor. Queira coisas boas para a vida. Pensando assim, trazemos pra nós aquilo que desejamos.
Se pensarmos pequeno, coisas pequenas teremos. Já se desejarmos fortemente o melhor, principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental. Jogue fora tudo que te prende ao passado, ao mundinho de coisa tristes. Fotos, peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagens e todas aquelas tranqueiras que guardamos quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração. Fique pronto para a vida, para um novo amor.
Lembre-se somos apaixonáveis, somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes, afinal de contas, nós somos o “Amor”.
“Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho de minha altura”
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e o mais importante, acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado.
Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste as portas. Chorou muito?Foi limpeza de alma.
Acreditou que tudo estava perdido? Era o inicio de tua melhora.
Pois é... agora é hora de reiniciar, de pensar na luz,de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Um corte de cabelo arrojado diferente, um novo, ou aquele velho desejo de aprender a pintar, desenhar, dominar o computador, ou qualquer outra coisa. Olha quanto desafio, quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando...
Ta se sentindo sozinho? Besteira tem tanta gente que você afastou com o seu “período de isolamento”
Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para “chegar” perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza ,nem nós mesmos nos suportamos, ficamos horríveis. O mau humor vai comendo nosso fígado, até a boca fica amarga.
Recomeçar...
Hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Aonde você quer chegar? Alto? Sonhe alto! Queira o melhor do melhor. Queira coisas boas para a vida. Pensando assim, trazemos pra nós aquilo que desejamos.
Se pensarmos pequeno, coisas pequenas teremos. Já se desejarmos fortemente o melhor, principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental. Jogue fora tudo que te prende ao passado, ao mundinho de coisa tristes. Fotos, peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagens e todas aquelas tranqueiras que guardamos quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração. Fique pronto para a vida, para um novo amor.
Lembre-se somos apaixonáveis, somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes, afinal de contas, nós somos o “Amor”.
“Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho de minha altura”
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
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